sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Países menos religiosos são os mais generosos

Washington, 24/08/2005(IPS) - Os países com templos mais vazios tendem a ser mais generosos em seu apoio ao desenvolvimento dos países pobres do que aqueles com grande presença nos serviços religiosos. O Índice de Compromisso com o Desenvolvimento, publicado pela mais prestigiosa revista especializada em política internacional dos Estados Unidos, a Foreign Policy, inclui Dinamarca, Holanda, Suécia, Austrália e Noruega entre as nações mais ricas dispostas a cooperar com os pobres. Os países que menos cooperam, da lista de 21 nações do Norte industrial, são Itália, Irlanda, Grécia e Japão, segundo a pesquisa, um projeto conjunto da Foreign Policy e do não-governamental Center for Global Development (CGD) que publica suas conclusões anualmente.



Os autores do Índice observam que os US$ 12 bilhões em fundos privados e públicos de assistência dos países ricos às nações afetadas pelo tsunami de dezembro na Ásia e o acordo pelo alívio da dívida externa anunciado este ano melhoraram o rendimento da cooperação. Ao mesmo tempo, consideraram que esses dois passos têm um alcance limitado, pois o estudo também considera outros fatores que influenciam na complexa relação Norte-Sul, como as barreiras comerciais. O estudo indica, por exemplo, que o Tesouro dos Estados Unidos impôs no ano passado quase US$ 2 bilhões em tarifas alfandegárias a importações dos quatro países mais prejudicados pelo tsunami (Índia, Indonésia, Sri Lanka e Tailândia), enquanto os fundos de alívio para essas mesmas nações aprovados pelo Congresso norte-americano somaram US$ 800 milhões.

"Se os países ricos realmente querem melhorar a vida dos cidadãos dos países afetados pelo tsunami deveriam por fim a esses impostos e a outras barreiras protecionistas no contexto da atual Rodada de Doha de negociações multilaterais de comércio", segundo a revista. A Foreign Policy indicou que a medida que mais ajudou a melhorar as cifras do Índice este ano foi a queda, em 1º de janeiro, do regime de cotas têxteis que regia as importações de Estados Unidos, Canadá e União Européia, produto de negociações multilaterais. O Índice se baseia em sete fatores de política externa das nações ricas que influem sobre o bem-estar dos países pobres e aos quais são destinadas diferentes pontuações: assistência, investimento, migração, meio ambiente, segurança, tecnologia e comércio.

Os países considerados são Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Grécia, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Portugal e Suíça. Os autores do relatório compararam seus resultados com os da Investigação Mundial sobre Valores, que estabelece as mudanças sociais e culturais em todo o mundo. Com essa metodologia, constaram que os países doadores mais sensíveis ao desenvolvimento do Sul também tendem a ser os que registram menor presença nos serviços religiosos. Apenas 3% dos habitantes da Dinamarca, país que recebeu a melhor qualificação no Índice, vão aos templos ao menos uma vez por semana, na menor proporção entre os 21 países ricos analisados.

Com 14% da sua população indo semanalmente aos serviços religiosos, a Holanda fica com o segundo lugar, seguida da Suécia com 10% em terceiro, da Noruega em quinto e Finlândia em sexto. Por outro lado, o país mais religioso dos 21, a Irlanda (uma nação católica onde quase dois terços da população vai à igreja pelo menos uma vez na semana ) fica em 19º lugar do Índice, enquanto os dois países que a seguem, Estados Unidos e Itália, ocupam os postos 12º e 18º. "Se costuma dizer que se deve amar ao próximo como a si mesmo", segundo o informe da Foreign Policy, mas "onde há mais pregação, há menos prática".

O maior peso do índice é o grau de proteção dos países doadores aos seus mercados frente aos produtos do Sul através de tarifas alfandegárias, cotas e subsídios. Também pondera as importações dos países pobres. Além disso, cada item de pontuação se compõe de várias categorias. Em matéria de assistência, por exemplo, o Índice considera não somente a ajuda oficial ao desenvolvimento como a porcentagem do produto nacional bruto, e ainda em que medida essa ajuda está vinculada com a compra de bens e serviços do país pobre pelo doador, a proporção recebida em pagamento de dívidas e fundos privados humanitários. Enquanto os Estados Unidos são o país mais generoso em termos de doações privadas (seis centavos de dólar por dia, em média), a ajuda oficial ao desenvolvimento foi de apenas 15 centavos diários.

Esse total de 21 centavos é exíguo frente ao principal doador relativo, a Dinamarca, com média de 90 centavos de dólar, dos quais 89 centavos procedentes do governo e apenas um de doações particulares. Em termos de assistência, Dinamarca, Noruega, Suécia e Holanda ficaram na frente dos restantes 17 países analisados por uma ampla margem. Os piores qualificados foram Itália, Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália. Com a exceção do Japão, os que tiveram pior rendimento em matéria de assistência foram os que melhor pontuação conseguiram nos itens comerciais, segundo o estudo. A Nova Zelândia foi considerada dona do mercado mais aberto aos bens procedentes do Sul em desenvolvimento, seguida de Austrália, Canadá e Estados Unidos. A Itália é o país da União Européia com melhor qualificação. Por outro lado, o Japão se coloca como o mercado mais fechado, seguido de Noruega e Suíça.

Quanto à facilitação do fluxo de investimentos para os países pobres e garantir sua destinação à promoção do desenvolvimento os melhores qualificados foram Grã-Bretanha, Canadá, Itália, Holanda, Alemanha e Estados Unidos, enquanto os piores foram Irlanda, Áustria, Nova Zelândia e Grécia. Em matéria de migração, o Índice pondera o fluxo líquido de imigrantes de países pobres para os ricos, a ajuda dada por estes aos refugiados e os que solicitam asilo e a proporção de estudantes do Sul no total da matrícula de estrangeiros. Nesse sentido, os países que figuraram na cabeça da classificação foram Suíça e Áustria, seguidos por Nova Zelândia e Alemanha. No fim da tabela figuram Portugal, Grécia, Japão, Itália e Finlândia. (IPS/Envolverde)

fonte: http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=923

3 comentários:

ed disse...

As taxas mais altas vêm de países "ateus", que compunham o antigo bloco comunista: Lituânia, Letônia, Estônia, Rússia, Cuba e China...
( Revista Superinteressante, edição 184 )
E em países como Suécia, Holanda, Noruega, apesar da generosidade e alto IDH, os números dos suicidas também são bem altos, principalmente se comparados ao Brasil.
Mas os ateus continuam achando que aqueles quem creem em Deus são atrasados e retardados...pelo menos
a gente ama a vida e quer viver...srsrs ...Já os países com grande número de ateus, apesar do conhecimento e da riqueza, estão infelizes, se matando.
Fala sério...rsrs

Wolfbr disse...

1 - aprenda que nem todo ateu = comunista e nem todo comunista = ateu, seria a mesma coisa que eu falar que todo pastor = ladrão(mesmo que isso seja verdade).

enquanto ao suicídio(tirando os casos em que a pessoa é "suicidada" que nem aconteceu com um ex presidente do brasil),ok, as pessoas tem o direito sobre a própria vida, cada um faz o que bem entender.
eu não acho que os religiosos são atrasando, eu tenho "convicção", alias, os paises que tem um numero maior de mortalidade são os mais religiosos(vide a "guerra santa" no oriente médio), o brasil é o maior país católico e mesmo assim atingimos números grandiosos de crimes vários crimes como:
assassinatos,estupros,roubos....
se você não sabe, menos de 10% da população carcerária no mudo são composta por ateus, sendo que o resto e composta por "religiosos", gente que acredita em "deus\deuses" ;)

Luciano disse...

isso ae Wolfbr, falou tudo,só vou complementar a parte dos suicidios.O suicidio nos paises nordicos é uma questao muito mais complicada doque religião,1º que ja foi comprovado que la por ser uma região muito fria há pouca incisão de raios solares e existe uma substancia que é criada quando os raios ultravioletas atingem nosso corpo produzir que a falta dela causa depressão, começando por isso, 2º que nesses paises as pessoas são muito mais cultas,estudadas e inteligentes, e ja foi comprovado que quanto mais estudo, menos a pessoa é feliz.os pobres são todos felizes! pode ir na favela q vc vai ver a felicidade.Enquanto tem muito executivo por aí atirando na cabeça.E os religiosos nao se suicidam com medo do castigo, de deus se nao fosse por isso muitos tbm o fariam.vc acha melhor uma pessoa ficar sofrendo na vida ,com medo de se matar pq vai ser castigado? eu acho muito melhor aqueles q se matam e acabam com o sofrimento logo.mas isso é minha opinião.
abraços