segunda-feira, 22 de outubro de 2007

2 Lúcifers



Bem, vou tentar argumentar de forma esclarecedora para que todos possam entender, embora possivelmente não aceitar (como é o caso dos fanáticos), meu ponto de vista.

Como diria o grande Jack O Estripador: "vamos por partes..."


Vamos aos fatos:

"Há" 2 Lucifer's. O Lucifer cristão (completamente deturpado) e o Lucifer real, que é um deus romano, do panteão pagão.

Essa confusão "Lucifer - Diabo" já é bem antiga. Vamos começar:

Era uma vez os 5 Livros de Torá, que constituíam o texto central do Judaísmo. Estes 5 livros foram traduzidos, do hebraico para o grego, a pedido do rei do egito, Ptomolomeu II, para que ele pudesse enfeitar a recém inaugurada Biblioteca de Alexandria. Essa tradução ficou conhecida como Septuaginta, pois cerca de 72 homens trabalharam nela, e a concluiram em 72 dias.

Aí está o primeiro erro. Ao traduzirem os Livros de Torá eles traduziram o termo "Estrela da Manhã" para "Eosphoros", presente neste trecho:

"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!" Is. 14:12

Deixando-o assim:

"Como caíste do céu, ó Eosphoros, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!" Is. 14:12

Aí já está o primeiro erro, pois "Estrela da Manhã" do primeiro trecho se referia a Nabucodonozor, o rei da Babilônia.

Note, também, que Eosphoros é um deus relacionado com a "Estrela da Manhã". Ou seja, eles traduziram Nabucodonozor (nomeado "Estrela da Manhã") para Eosphoros, deus já existente.

O segundo erro, aconteceu quando São Jerônimo foi traduzir para o latim. Mas ele o fez usando a Septuaginta e não o hebraico original.
Então, ao encontrar o termo Eosphoros ele traduziu como Lucifer (palavra que no latim, se for decomposta, forma 2 palavras: Lux (Luz) e Ferre (Portador).

Esses foram dos problemas os menores. O grande problema foi a ICAR, tinha agora a necessidade de combater o paganismo (religão praticada pelos camponeses). Esses pagãos (Pagus = Campo) tinham como uma de suas principais entidades Lucifer (que é a mesma coisa que Eosphoros, aquela entidade relacionada a "Estrela da Manhã", como citado), porém, o grande "problema" é que o culto a essa entidade tinha forte conotação sexual e isso era insuportável para a igreja, sempre castrada e castradora, aonde o corpo é mal.

Diante disso, o que a ICAR fez, foi, simplesmente, demonizar Lucifer, um deus que não tinha absolutamente NENHUMA relação com o cristianismo, muito menos com o judaísmo.

Lucifer nunca foi o diabo e muito menos Satanás (adversário em hebraico).

Lucifer nunca foi o tal anjo de jeová, não é demônio e não tem nenhuma relação com a cultura judaico/cristã. E, finalmente, como Lucifer não é o Demônio e nem Satanás, nada tem a ver com o satanismo, seja ele tradicional ou moderno.

***

Como assim "se deus existe por que Lucifer não pode existir?"? Temos também que levar em conta que nada é provado sobre a existência de "Deus".

Logo, este comentário, com todo o respeito, não tem nenhuma lógica.

E, segundo a filosofia, todos tem um lado "bom" e um lado "mau".

O problema é que as pessoas só vêem "Deus" como o lado "bom" e o "Diabo" como o lado "mau", o que, filosoficamente, é errado.

Pois se "Deus" é apenas "bom", porque ele expulsaria Adão e Eva do paraíso?

Por que baniria Caim do Eden, por ter matado seu irmão?

Por que ele teria feito chover 40 dias e 40 noites (dilúvio), e permitir que apenas Noé, sua família e apenas um casal de cada espécia animal sobrevivesse?

Por que ele deixaria acontecer o "apocalipse"?

Ora, se ele é "bom", não é tão mais fácil apenas perdoar as pessoas pelos seus pecados?

Se ele é infinito amor, porque ele castiga, como muitos dizem, as pessoas?

Abraços, sayonara.

veja esse vídeo:

Um comentário:

rodrigo disse...

Concordo plenamente contigo. A ignorância fanática desta sociedade hipócrita e cega só me traz revolta. Não sei como pessos hoje em dia ainda possuem crenças tão atuais quanto a Idade Média...